quarta-feira, 24 de julho de 2013

O medo de comprometer-se







"Somente através de decisões você fica cada vez mais cônscio, somente através de decisões você fica cada vez mais cristalizado, somente através de decisões você fica mais afiado. Do contrário a pessoa torna-se apática.
As pessoas vão de um guru para outro, de um mestre para outro, de um templo para outro; não porque sejam grandes buscadores, mas porque são incapazes de decidir. Assim eles ficam de um para outro. Essa é a maneira deles evitar comprometer-se.
O mesmo acontece com outros relacionamentos humanos: um homem fica de uma mulher para outra, vai mudando. 
As pessoas acham que ele é um grande amante; ele não é um amante de jeito nenhum. Ele está evitando, ele está tentando evitar algum envolvimento mais profundo porque com envolvimento mais profundo os problemas precisam ser enfrentados, e precisa passar por muito sofrimento. 
Assim a pessoa simplesmente joga seguro; a pessoa toma a decisão de nunca se envolver profundamente com alguém. Se você for muito fundo, você pode não ser capaz de voltar facilmente. E se você for muito fundo com alguém, outra pessoa irá fundo com você também; é sempre proporcional. Se eu for muito fundo com você a única maneira é permitir que você também vá fundo em mim. É um dar e receber, é um compartilhar. 
Então a pessoa pode ficar enrolada demais, e será difícil escapar e o sofrimento pode ser grande.
 Assim as pessoas aprendem como jogar seguro: basta se encontrarem superficialmente; um caso de amor do tipo bata e corra. Antes de ser agarrado, corra.
Isso é o que está acontecendo no mundo moderno. 
As pessoas se tornaram tão imaturas, tão infantis; elas estão perdendo toda a maturidade. A maturidade chega somente quando você está pronto para enfrentar a dor de seu ser; maturidade chega somente quando você está pronto para aceitar o desafio. E não há um desafio maior que o amor.
Viver feliz com outra pessoa é o maior desafio do mundo. 
É muito fácil viver pacificamente sozinho, é muito difícil viver pacificamente com outra pessoa, porque os dois mundos colidem, dois mundos se encontram... Mundos totalmente diferentes. 
Como é que eles são atraídos um pelo outro? Porque eles são totalmente diferentes, quase opostos, pólos opostos.
É muito difícil ser pacífico num relacionamento, mas esse é o desafio. Se você fugir disso, você foge da maturidade.
 Se você vai fundo nisso com toda a dor, e assim mesmo continua nisso, então pouco a pouco a dor se torna uma bênção, a maldição se torna uma bênção.
 Pouco a pouco, através do conflito, surge a fricção, a cristalização. Através da luta você fica mais alerta, mais cônscio.
O outro se torna como um espelho para você. Você pode ver sua feiúra no outro. 
O outro provoca sua inconsciência, trazendo-a para a superfície.Você terá que conhecer todas as partes ocultas de seu ser e o caminho mais fácil é ser espelhado, refletido, num relacionamento.
Mais fácil, digo assim, porque não há outra maneira, mas isso é difícil, árduo, porque você terá que mudar através disso.
Quando você vem para um mestre, um desafio ainda maior se apresenta diante de você: você tem que decidir, e a decisão é para o desconhecido, e a decisão precisa ser total e absoluta, irreversível. 
Não é uma brincadeira de criança; é um ponto sem retorno. 
Surgem tantos conflitos.
 Mas não continue mudando sempre, porque essa é a maneira de evitar a si próprio. E você irá permanecer mole, você irá permanecer infantil.
 A maturidade não acontecerá a você.
Somente o desconhecido deve ter uma atração para você porque você ainda não o viveu; você ainda não andou por esse território. Mova-se! Algo de novo pode acontecer por lá.
Sempre decida pelo desconhecido, seja qual for o risco e você irá crescer continuamente.Mas continue decidindo pelo conhecido e você fica se movendo repetidamente num círculo com o passado.
 Você prossegue repetindo-o; você se torna como um gravador gramofone.
E decida. 
Quanto mais cedo você o fizer, melhor.
 Adiamento é simplesmente estupidez. Amanhã você terá que decidir também, então porque não hoje? E você pensa que amanhã você será mais sábio do que hoje? 
Você acha que amanhã você estará mais vivo que hoje?
 Você acha que amanhã você estará mais jovem que hoje, mais renovado que hoje?

Amanhã você estará mais velho, sua coragem será menor; amanhã você será mais experiente, sua esperteza será maior; amanhã a morte estará mais perto; você começará a dar sinais e a ficar mais assustado. 
Nunca adie para amanhã.
 E quem sabe?
Amanhã pode chegar ou pode não chegar. 
Se você tem que decidir você precisa decidir agora mesmo."



Osho, extraído de "Dang Dang Doko Dang"

O justo não pode pagar pelo pecador



Analisando sem achismo pessoal, fanatismo religioso, extremismo comportamental ou discriminação preconcebida, com certeza absoluta chega-se a conclusão de que no mundo existem muitas injustiças, porém, ninguém vive injustiçado. Cada indivíduo é o único responsável, perante a Justiça Divina, por tudo que lhe acontecer. Não há como pulverizar responsabilidade, tampouco, culpas. Por essa afirmativa é crível afirmar-se que ninguém poderá ser responsabilizado pelos erros dos outros.

Com essa observação lógica, claudica aquele argumento secular: - “o justo paga pelo pecador”.

Acreditar que isso poderia acontecer seria no mínimo:

- desdenhar-se do amor, da bondade e principalmente da verdadeira Justiça Divina;

- duvidar peremptoriamente da seriedade, e de um dos sacrossantos e encorajadores ensinamentos trazidos por Jesus, o Cristo: - “A cada um será dado conforme a sua obra”;

- evidenciar o descrédito no adágio popular consagrado desde antanho: - “nada acontece por acaso”;

- ignorar a veracidade filosófica quando diz: - “não há efeito sem causa, tudo tem uma razão de ser”; e

- sepultar nas profundezas da ignorância a “Lei de causa e efeito, ação e reação”, que é Universal.

Agora fica o impasse.

É desumano não sensibilizar-se diante das dores físicas, psicológicas, morais, espirituais pelas quais um ser humano é acometido?

Será justo não apiedar-se quando catástrofes tenebrosas devastam habitações e ceifam vidas de pessoas incautas?

Evidentemente que seria desumano. Entretanto, é injusto atribuí-las aos desígnios ou a vontade soberana de Deus. Ele jamais usará da Sua Suprema Soberania para fazer Seus filhos sofrerem sem uma causa justa.

O sofrimento está diretamente proporcional à culpabilidade de casa um. Caso contrário, o senso de justiça torna-se inexistente. O ser humano já nasceria predestinado às vicissitudes nefastas que o levaria à miséria humana de todos os jaezes sem perspectivas de dias melhores. Nesse caso de que adiantaria para ele seguir os mandamentos de Lei do Amor preconizados e ensinados pelo Cristo ?

O bom-senso induz a pensar que o Cristo está certo. “A cada um conforme a sua obra”. Portanto, ao justo não é concebível pagar pelos pecados dos outros.



Pedro de Almeida Lobo
www.momentoespirita

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Deus está por toda parte




Como Deus tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, pode se imiscuir nos detalhes ínfimos, se preocupar com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo? Tal é a questão que se coloca frequentemente.

Em seu estado atual de inferioridade, os homens não podem, senão dificilmente, compreender Deus infinito, porque eles mesmos são acanhados e limitados, é porque eles o imaginam acanhado e limitado como eles; imaginam-no como um ser circunscrito, e fazem a si mesmos dele uma imagem à sua imagem. Nossos quadros que o pintam sob os traços humanos não contribuem pouco para manter esse erro no espírito das massas, e que adoram nele a forma mais do que o pensamento. Para a grande maioria é um soberano poderoso, sobre um trono inacessível, perdido na imensidão dos céus, e porque suas faculdades e suas percepções são limitadas, não compreende que Deus possa ou se digne intervir diretamente nas menores coisas.

Na impossibilidade em que está o homem para compreender a própria essência da divindade, não pode dele se fazer senão uma ideia aproximada com a ajuda de comparações necessariamente muito imperfeitas, mas que podem, pelo menos, mostrar-lhe a possibilidade daquilo que, à primeira vista, lhe parece impossível.

Suponhamos um fluido bastante sutil para penetrar todos os corpos, é evidente que cada molécula desse fluido produzirá sobre cada molécula da matéria com a qual está em contato, uma ação idêntica a que produziria a totalidade do fluido. É o que a química nos mostra a cada passo.

Esse fluido, sendo sem inteligência, age mecanicamente tão-só pelas forças materiais; mas se supusermos esse fluido dotado de inteligência, de faculdades perceptivas e sensitivas, ele agirá, não mais cegamente, mas com discernimento, com vontade e liberdade; ele verá, ouvirá e sentirá.

As propriedades do fluido perispiritual podem disso nos dar uma ideia. Ele não é inteligente por si mesmo, uma vez que é matéria, mas é o veículo do pensamento, das sensações e das percepções do espírito, consequentemente, é da sutileza desse fluido que os Espíritos penetram por toda parte, desvendam nossos pensamentos, vêm e agem à distância; é a esse fluido, chegado a um certo grau de depuração, que os Espíritos superiores devem o dom da ubiqüidade; basta um raio do seu pensamento dirigido sobre diversos pontos, para que possam ali manifestar sua presença simultaneamente. A extensão dessa faculdade está subordinada ao grau de elevação e de depuração do Espírito.

Mas os Espíritos, por elevados que sejam, são criaturas limitadas em suas faculdades, de seu poder e da extensão de suas percepções não poderiam, sob esse aspecto, se aproximar de Deus; no entanto, eles podem nos servir de ponto de comparação. O que um Espírito não pode cumprir senão num limite restrito; Deus, que é infinito, o cumpre em proporções infinitas. Há ainda esta diferença de que a ação do Espírito é momentânea e subordinada às circunstâncias: a de Deus é permanente; o pensamento do Espírito não abarca senão um tempo e um espaço circunscritos; o de Deus abarca o universo e a eternidade. Em uma palavra, entre os Espíritos e Deus há a distância do finito ao infinito.

O fluido perispiritual não é o pensamento do Espírito, mas o agente e o intermediário desse pensamento; como é o fluido que o transmite, dele está de alguma sorte impregnado, e na impossibilidade que estamos de isolar o pensamento, parece não fazer senão um com o fluido, como o som não faz senão um com o ar, de sorte que podemos, por assim dizer, materializá-lo. Do mesmo modo que dizemos que o ar se torna sonoro, poderíamos, tomando o efeito pela causa, dizer que o fluido se torna inteligente.

Que seja assim ou não o pensamento de Deus, quer dizer que ele agisse diretamente ou por intermédio de um fluido, para a facilidade de nossa inteligência, nos representemos esse pensamento sob a forma conoreta de um fluido inteligente enchendo o universo infinito, penetrando todas as partes da criação: a Natureza inteira está mergulhada no fluido divina, tudo está submetido à sua ação inteligente, à sua previdência, à sua solicitude; não há um ser, por ínfimo que seja, que dele não esteja de alguma sorte saturado.

Estamos, assim, constantemente em presença da Divindade; não há uma única de nossas ações que possamos subtrair ao seu olhar; nosso pensamento está em contato com o seu pensamento, e é com razão que se diz que Deus lê nas mais profundas dobras de nosso coração; estamos nele como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo, para estender sua solicitude sobre as menores criaturas, não tem necessidade de mergulhar seu olhar do alto da imensidão, nem deixar a morada de sua glória, porque esta morada está por toda parte; nossas preces, para serem ouvidas por ele, não têm necessidade de transpor o espaço, nem de serem ditas com uma voz retumbante, porque, sem cessar, penetrados por ele, nossos pensamentos repercutem nele.

A imagem de um fluido inteligente universal, evidentemente, não é senão uma comparação, mas própria para dar uma ideia mais justa de Deus do que os quadros que o representam sob a figura de um velho com longa barba, coberto com um manto. Não podemos tomar nossos pontos de comparação senão nas coisas que conhecemos; é por isto que se diz todos os dias: O olhar de Deus, a mão de Deus, a voz de Deus, o sopro de Deus, a face de Deus. Na infância da Humanidade, o homem toma suas comparações pela letra; mais tarde, seu espírito, mais apto a agarrar as abstrações, espiritualiza as ideias materiais. A de um fluido universal inteligente, penetrando tudo, como seria o fluido luminoso, o fluido calórico, o fluido elétrico ou qualquer outro, se fossem inteligentes, tem por objeto fazer compreender a possibilidade para Deus de estar em toda a parte, de se ocupar de tudo, de velar sobre um ramo de planta como sobre os mundos. Entre ele e nós a distância está suprimida; compreendemos sua presença, e este pensamento, quando nos dirigimos a ele, aumenta a nossa confiança, porque não podemos mais dizer que Deus está muito longe e é muito grande para se ocupar de nós. Mas este pensamento, tão consolador para o humilde e para o homem de bem, é muito terrificante para o mau e os orgulhosos endurecidos, que esperam subtrair-se a ele por causa da distância, e que, doravante, se sentirão sob o aperto de seu poder.

Nada impede de admitir, para o princípio de soberana inteligência, um centro de ação, um foco principal irradiando sem cessar, inundando o universo com seus eflúvios, como o sol com a sua luz. Mas, onde está esse foco? É provável que não esteja mais fixado sobre um ponto determinado quanto não o é a sua ação. Se simples Espíritos têm o dom da ubiquidade, esta faculdade em Deus deve ser sem limites.

Deus enchendo o universo, poder-se-ia admitir, a título de hipótese, que esse foco não tem necessidade de se transportar, e que ele se forma sobre todos os pontos onde a sua soberana vontade julga a propósito se produzir, de onde poder-se-ia dizer que ele está por toda a parte e em nenhuma parte.

Diante desses problemas insondáveis, nossa razão deve se humilhar. Deus existe: disso não poderíamos duvidar; ele é infinitamente justo e bom; é sua essência; sua solicitude se estende a tudo: nós o compreendemos agora; sem cessar em contato com ele, podemos orar com a certeza de ser ouvido por ele; não pode querer senão o nosso bem, é porque devemos ter confiança nele. Eis o essencial; para o restante esperemos que sejamos dignos para compreende-lo.


Fonte: Revista Espírita nº 5, maio/1866

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sol das Almas

É pelo amor, sol das almas, que Deus mais eficazmente atua no mundo.

Já notamos como um belo dia de sol consegue nos fazer bem? A temperatura pode estar baixa, mostrando os prenúncios do inverno, mas mesmo assim, o brilho intenso da estrela solar consegue nos trazer ânimo e esperança.

Algum poeta apaixonado poderia dizer que os raios solares são como um abraço do Criador, fazendo-nos acreditar que estamos seguros, que estamos protegidos.

Mas é através de um outro sol, um sol interior, que o Pai se mostra mais presente em nossas vidas: o amor.

O amor encontrado no coração do homem, manifestado em seus pensamentos e ações; o amor,condição indispensável, para que tudo na vida faça sentido e tenha valor.

Paulo de Tarso, em sua carta ao povo da cidade de Corinto, afirmava que se não houvesse amor em suas ações, elas não teriam validade, e que se não existisse amor em sua alma, ele nada seria.

O Apóstolo ainda trazia a aplicação prática desse ensino, dizendo que o amor é paciente, mostrando-nos a virtude da paciência, essa disposição íntima que nos faz esperar com calma, que nos auxilia a evitar a precipitação, que não é passiva, mas é atuante e dinâmica.

O amor é benigno, isto é, ele deve irradiar de nossa casa interior, para iluminar outros lares através da caridade, da intenção de fazer felizes aqueles que estão ao nosso redor.

O amor não arde em ciúmes, não guarda o sentimento de posse sobre ninguém, pois sabe que não possuímos as pessoas, e que se as amamos, devemos libertá-las.

O amor não se orgulha, nem se ensoberbece, é humilde, e faz com que saibamos o nosso devido lugar, conhecendo nossas imperfeições e reconhecendo as dificuldades do próximo, jamais nos proclamando melhores que alguém.

O amor não se conduz inconvenientemente, é delicado, sensível, e se expressa nas pequenas coisas, nas pequenas ações, que são invisíveis aos olhos do mundo, mas que para Deus demonstram nosso interesse e preocupação com as outras pessoas.

O amor não procura seus interesses, é espontâneo, não age visando a vantagem, a recompensa. Ele simplesmente ama, se doa, sem exigir retorno.

O amor não se exaspera, é tolerante, compreensivo, e sabe que necessitamos compreender as dificuldades alheias, pois todos, sem exceção, ainda as temos.

O amor não se ressente do mal, perdoa. Não permite que o veneno do ressentimento prejudique nossa saúde física e espiritual.

E, finalmente, Paulo de Tarso nos ensina que o amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade, mostrando-nos que devemos ser defensores da verdade, da sinceridade, mas não dessa sinceridade dura que atira as verdades no rosto dos outros - deixando assim de ser virtude.

A verdade deve ser revelada com psicologia, com cautela, visando construir, e não destruir o semelhante.

*  *  *
O amor decompõe-se em muitas cores, em muitas virtudes.

É este sol das almas que buscamos, cada um de uma forma, cada um a seu tempo.
Sempre amparados pelo astro de primeira grandeza que é Jesus, que veio à Terra e permaneceu nestes ares para nos guiar aos caminhos que nos conduzirão ao Criador.


Redação do Momento Espírita, com base no texto O dom supremo, de Henri Drummond, e no cap. XXV, pt. 3, do livro O problema do ser, do destino e da dor, de Léon Denis, ed. FEB. Em 5.7.2013.

Superstição




Imagine um gato preto, uma coruja no telhado, uma escada na calçada em seu caminho. Ou mesmo um galhinho de arruda atrás da orelha. Lembre-se ainda do levantar com o pé esquerdo, de entrar e sair de qualquer habitação pela mesma porta, ou do bater três vezes na madeira. Se quisermos avançar um pouco mais, ainda nos lembraremos da roupa branca na noite que altera o ano do calendário. Será possível ainda recordar a consulta diária ao horóscopo, o evitar ingerir certos líquidos ou alimentos em determinados dias do ano, e mesmo a vassoura atrás da porta ou a comigo ninguém pode. Meu Deus! Paremos por aqui!


Quanto absurdo junto! O próprio dicionário define a palavra superstição como sentimento religioso excessivo ou errôneo, crença errônea, temor absurdo de coisas imaginárias, entre outras bem claras definições. E como ainda temos coragem de manter essas ideias absurdas na cabeça numa época em que deve prevalecer o raciocínio diante de todas as situações?


Como imaginar que um simples gato preto ou a presença de uma inocente coruja no telhado possa significar males maiores? Como aceitar a ideia de que o pé que primeiro pisa no chão, de manhã, possa determinar as ocorrências do dia? E mais, como entender o absurdo de devermos sair pela mesma porta que entramos? E que tipo de influência a roupa branca pode causar na passagem de ano? Ou será mesmo que acreditamos que bater três vezes na madeira pode alterar o rumo das coisas? E tem algo a ver com a grandeza da vida o fato de ingerirmos certos alimentos em determinados dias, por imposição de medos imaginários?


Ora, convenhamos! Nossa felicidade ou nossa desdita estão determinadas pela postura e comportamento que adotamos. São as opções de vida que determinam os acontecimentos. Opções de caráter reto, digno, honesto, geram resultados de paz de consciência. Atos imorais geram aflições, intranquilidade. Algum absurdo nisto?


São os pensamentos, a intenção e a vontade que atraem situações provocadoras de aflições ou sofrimentos. Pensando no mal, alimentando inveja e ciúme, rancor ou sentimento de vingança, atraímos exatamente essas ondas mentais que conviverão conosco e naturalmente facilitarão ocorrências desagradáveis. O inverso também é real: pensando no bem, nutrindo pensamentos de amor ao próximo, de confiança em Deus, estaremos sintonizados com o bem geral que governa o Universo, para desfrutar de paz e harmonia interior.


Gestos, roupas especiais, objetos materiais, acessórios místicos, atitudes impostas por padrões que escapam ao exame do raciocínio e da lógica, nenhuma influência possuem para nos proteger ou mudar o rumo dos acontecimentos. Estes são sim alterados pela nossa decisão e opção mental. Se achamos que o chamado "mal feito" vai nos atingir, estaremos entregues à prisão mental que nós mesmos criamos.


Já é hora de nos libertarmos de tais bobagens. Aprendamos a viver livres de superstições, tomando posse de nossa herança de filhos de Deus que devem buscar continuamente o próprio aperfeiçoamento, ao invés de nos prendermos a ideias impostas para criar medo e dependência. Esses condicionamentos só existem na mente de quem os aceita. E cada um de nós tem o dever de construir a sua e a felicidade alheia.


Afinal, vivemos para que? Satisfação egoística, medos condicionados ou felicidade construída dia-a-dia?




::: Orson Peter Carrara :::
www.forumespirita

Essência da Perfeição





 Como distinguir a perfeição? Qual sua verdadeira essência? Onde ela se estrutura?

É fácil responder. Ela está na caridade. A caridade em toda sua extensão e abrangência, claro que não restrita na esmola ou na doação de coisas materiais. Mas, sim, a caridade, especialmente, dos relacionamentos. A caridade implica a prática de todas as outras virtudes.

Claro! A caridade é amor, é tolerância, é paciência, é humildade, é resignação ativa, é perdão! O amor – ou caridade – compreende, aceita, auxilia, acolhe!
Basta lembrar a famosa Epístola de Paulo sobre a caridade. Basta lembrar os ensinos de Jesus ou mesmo a caridade de Deus para conosco, em todos os sentidos.

A caridade não acusa e, mais, estende as mãos do auxílio. Atua no dever de amparar, vai ao encontro das misérias, inclusive das ocultas. Ela é solidária, ela confia, ela usa a fé e a esperança. A caridade jamais marginaliza, não tem preconceitos, não despreza, nem humilha. Ela, a caridade, é mãe de todas as virtudes, porque sempre se coloca no lugar do outro, pensa sempre na dificuldade alheia. A caridade não tem remorso, nem arrependimento, nem guarda culpas, porque suas ações são sempre no sentido da bondade, da solidariedade, da fraternidade.

E há um detalhe encantador: quando estamos em dúvida sobre qualquer questão de relacionamentos ou decisões a tomar, basta consultá-la. Ela responderá com critério e justiça, bondade e acolhimento, dará o norte para a ação.

A caridade não é omissa, ela age sempre no bem.

A caridade é virtude excelente, imprescindível. É a âncora que salva dos precipícios ou dos desastres morais. Notem os amigos que à sombra dessa excelente virtude viveremos em paz na Terra, porque nos respeitaremos e nos auxiliaremos mutuamente, e no Céu também porque estaremos em harmonia com a própria consciência. Lembrando que céu e inferno são meros estados de consciência, ou seja, estaremos no céu da serenidade, da harmonia, da paz de consciência ou no inferno do arrependimento, da culpa, do remorso...

A caridade salva, isto é, preserva dos desastres e quedas morais, porque ela é exatamente preventiva das misérias morais e sociais. A caridade sempre socorre, estende a mão, observa, avalia se os próprios gestos não trarão prejuízos e por aí afora. Vejamos, pois, a extensão da palavra e da própria virtude em si. Ela é doce, benfazeja, tranquila, perene e serena.

Por isso Allan Kardec proclamou: Fora da caridade não há salvação. E estabeleceu como instrumentos de ação o tripé: Trabalho, Solidariedade, Tolerância.


Orson Peter Carrara
 
www.forumespirita.com

quarta-feira, 3 de julho de 2013

" Deixai que os MORTOS enterrem seus mortos "- Bíblia Sagrada, Novo Testamento, palavras do Mestre Jesus.

Vamos analisar aqui o que significa esta frase, uma vez que o Mestre não dizia algo que não tivesse um sentido muito profundo, que naquela época escapava à maioria das pessoas que o escutavam e até mesmo o acompanhavam.

Mortos não podem enterrar mortos, é óbvio, então troquemos o sentido para
ADORMECIDOS, como dizia o saudoso monge brhâmane , Kurt Budberg". inconsciente e adormecida é como se encontra a humanidade, por eons ainda dorme, embora já tenhamos melhorado muito,nesta nova era de ascensão do planeta e do nosso universo como um todo.


Observem como as pessoas são influenciadas pela mídia, basta um artista usar determinado vestuário, tipo de cabelo, cor de esmalte, perfume, vocabulário, etc.. e já estamos todos imitando, como se não tivéssemos personalidade própria. Me lembra o livro ' A FAZENDA MODELO ',
um rebanho que é conduzido para onde o sistema quer, cada vez mais correndo para lugar nenhum, esquecendo do SER INTERNO, da chama divina que é DEUS, que se manifesta através de seus filhos co-criadores, adormecidos, esquecidos da sua divindade,.

Aonde está o olhar amigo, amoroso, sem julgamentos maldosos sobre o outro?

Quando um empresário para SUA CORRIDA ATRÁS DO DINHEIRO E SUCESSO para olhar com amor sua família? Quem primeiro ajuda o caído na sargeta antes de analisar os prós e contra
do seu gesto?

Essas pessoas existem, são os VIVOS, DESPERTOS, que cuidam das almas que ainda podem nesta encarnação, serem ajudadas a encontrar um caminho, porque aos falecidos cabe colher o que plantaram.É a lei de afinidades.